Caboclos
Breno Lacerda
A
palavra caboclo, segundo a Revista Orixás,
Candomblé e Umbanda, vem do tupi
kareuóka, que significa da cor de cobre; acobreado. Espírito que se apresenta
de forma forte, com voz vibrante e traz as forças da natureza e a sabedoria
para o uso das ervas. A partir daí vem a relação com os índios brasileiros, de
tez avermelhada. Assim, a palavra caboclo passou a designar aquilo que é
próprio de bugre, do indígena brasileiro de cor acobreada. Posteriormente
surgiu a noção de caboclo como mestiço de branco com índio, o sertanejo. Dada
essa relação dos caboclos com os indígenas – nos terreiros de Umbanda é dessa
forma que se manifestam -, e aproximando esse fato ao Orixá Oxossi, que em
África é cultuado como Odé, o caçador, o Senhor das Florestas, conhecedor dos
segredos das matas e dos animais que lá vivem, diz-se que os Caboclos que
baixam na Umbanda são espíritos ligados a Oxossi. Muitos entendem que somente
esses são caboclos e que as entidades da vibração de Ogum, Xangô, Yemanjá e
Oxalá não seriam, propriamente, caboclos. No entanto, há caboclos da praia, do
mar e das ondas, das pedreiras, das cachoeiras, dos rios etc., cujos elementos
se associam mais aos outros Orixás que a Oxossi.
A
marca mais característica da Umbanda, uma religião surgida no Brasil no final
do século XIX e início do século XX, é a manifestação de entidades espirituais,
por meio da mediunidade de incorporação. Os primeiros espíritos a “baixar” nos
terreiros de Umbanda foram aqueles conhecidos como Caboclos e Pretos-velhos, a
seguir surgiram outras formas de apresentação como as Crianças, conhecidas,
variadamente, como Erês, Cosme e Damião, Ibejis. Essas três formas, Crianças,
Caboclos e Pretos-velhos, podem ser consideradas as principais porque resumem
vários símbolos: representam, por exemplo, as raças formadoras do povo
brasileiro – indígenas, negros e brancos europeus – e também representam as
três fases da vida – a criança, o adulto e o velho – mostrando a dialética da
existência.
Revista
Orixás, Candomblé e Umbanda – Ano I – Nº 02


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