Entrevistas

Entrevista com o Vereador e Babalorixá
 Paulinho de Odé


Vereador Paulinho de Odé e sua luta

        A história de Paulinho de Odé, segundo ele,  é resultado de uma prática que revela os compromissos dele com a cidade de Canoas. Paulinho nasceu em 2 de agosto de 1971, em Canoas, no bairro Rio branco. O primeiro filho homem até aquele momento. Nos primeiros dias de vida,  por motivos de saúde, Paulinho foi levado pela família  a um terreiro, era o destino já mostrando cedo que a história dele estaria intimamente ligada à religião.
       A infância de Paulinho foi humilde, muito cedo teve que começar a trabalhar. Segundo Paulinho, foram tempos difíceis, mas que com muita fé e trabalho conseguiu super.  Jovem idealista, Paulinho lutou pela moradia, atuou na João de Barro com o então Vereador Jairo Jorge, e conquistou o direito a moradia digna para as famílias necessitadas. Casou-se com Berenice e tiveram três filhos:  Rogério (21), Paola (19) e Paulinha  (8).
       Foi na Juventude que recebeu preparação na umbanda de matriz africana, abriu seu primeiro Terreiro, onde não se praticava apenas as atribuições religiosas, mas também o papel de cidadão e de líder comunitário. Como líder religioso começou a luta pelos direitos humanos e pela liberdade religiosa, pois, via vários líderes religiosos afros umbandistas serem impedidos de forma arbitrária de realizarem seus rituais. Foi neste cenário que criou um dos maiores eventos religioso do RS: o Encontro das Almas Iluminadas e a entidade Uniaxés (Movimento de Ação Afro-Umbandista Pela União dos Axés) organizando os afro-umbandistas de Canoas na luta por seus direitos.
    A partir de 2005 fez parte da assessoria do Vereador Nelsinho Metalúrgico participando da coordenação das campanhas vitoriosas de 2008, eleição do Prefeito Jairo Jorge e reeleição do vereador Nelsinho e em 2010 da eleição do Deputado do PT de Canoas Nelsinho Metalúrgico.  Em 2009, a convite do Prefeito Jairo Jorge assumiu a Coordenadoria das Diversidades que coordenava as ações por direitos humanos para públicos que historicamente foram excluídos. Promoveu, com mais de 10 religiões, diversos ações e atos conjuntos que resultaram na implantação do Fórum inter-religioso de Canoas.
     A partir dos terreiros e outros grupos religiosos, com diálogo permanente, buscou o respeito de diversidade religiosa e sexual, com a promoção do respeito à livre orientação religiosa e sexual, na luta contra a intolerância e a homofobia. Realizou a primeira Parada Livre de Canoas em 2009, também as de 2010 e de 2011.O vereador Paulinho de Odé continua lutando pelas causas sociais e religiosas


Entrevista com o Vereador Ivo Fiorotti




        Nasceu em Carlos Barbosa em 1959, veio para Canoas em 1981, como frei capuchinho, com o objetivo de ajudar os mais pobres a ter uma vida melhor. Ao longo da década de 80, ajudou  na organização de comunidades eclesiais, associações de moradores nas áreas de ocupação, solidário às lutas dos movimentos sociais e sindicais em Canoas e no Estado. Nos anos 90, atuou  como professor e assessor do deputado Paulo Paim (PT).
       No governo Olívio Dutra (1999-2002) foi Diretor da Área do Trabalho, gerenciando os programas do Primeiro Emprego, Qualificação Profissional, Coletivos de Trabalho e Família Cidadã. Em 2002, como candidato a deputado estadual, recebeu quase oito mil votos de canoenses, dos 13.143 votos recebidos em todo o Estado.
       Em 2003, foi assessor parlamentar do vereador Oli Borges (PT) e, de 2005 a 2008, do deputado federal Marco Maia (PT). Desde 2003 faz  parte do Conselho Político do senador Paulo Paim. Desde que chegou a Canoas sempre atuou em movimento comunitário, Comunidades Eclesiais de Base, Associações de Moradores, Organizações Sociais que atuam na defesa dos direitos das crianças e adolescentes, na Segurança Alimentar e na Economia Solidária.
       Casado com Diva, pai da Rahamina e do Ivan. Licenciado em teologia e pós-graduado em Ciências Políticas. Em 2008, foi eleito vereador de Canoas com 2.427 votos.
   Na Câmara de Vereadores, cumpriu o primeiro mandato comprometido com a participação popular, concretizando o objetivo de servir às pessoas e fortalecer as organizações sociais. Em 2012 foi  reeleito com 2.391 votos para continuar a mudança em Canoas.


ENTREVISTA

Como iniciou a relação entre Umbanda e Catolicismo ?




          A experiência que tive como agente de pastoral, como frei capuchinho, nos anos da década de oitenta e início de noventa foi de conviver com uma população sobretudo de afrodescendentes, que participava de nossas comunidades eclesiais católicas mas também expressava sua fé nos cultos e tradições do batuque e da umbanda. Eu tinha uma relação com lideranças sindicais e de movimentos sociais que conviviam nesta hibridez de espiritualidades. Mais tarde, no início deste novo milênio, participando de grupos de Economia Solidária conheci um rapaz que estava se iniciando como Babalorixá, o Paulo Ambieda conhecido como Paulinho d"Odé. Ele sonhava em construir uma espécie de cooperativa onde os vários babalorixás e ialorixás pudessem produzir e adquirir através de uma cooperativa materiais e animais de uma forma menos onerosa para serem utilizados nos cultos afroumbandistas. Foi assim que nasceu a ideia de criar o Encontro das Almas Iluminadas que nada mais é do que uma festa para os Exus, na última sexta-feria de agosto, onde são convidados para serem homenageados todos líderes de casa afroumbandistas que tem ligações com estas entidades mensageiras, os Exus. O objetivo era criar um mecanismo de articulação para desenvolver o projeto da cooperativa, que pelo que sei, nunca saiu da intenção.  Mas iniciou-se um aproximação que passou a dar certo em outros aspectos, como na questão da poluição dos rios e da mãe natureza. Foi exatamente a partir desta concepção de cuidar do meio ambiente, da mãe terra com suas matas e rios que foram se articulando várias organizações de católicos e umbandistas, o que passou a ter como momento forte festas interreligioas como a Romaria das Águas e mais recentemente com a devoção da Nossa Senhora das Águas. Junto com a espiritualidade existe todo u trabalho de conscientização e de luta pelo cuidado com a terra, com os rios, com a pureza das águas. 



Que benefícios da integração interreligiosa você percebe ?




           É difícil haver unidade interreligiosa, pois as crenças e os ritos são bem diversos. A unidade tem ocorrido a partir de questõe humanitárias e ambientais. É nos problemas mais gerais da vida humana que poder surgir o diálogo interreligioso. Foi isto que ocorrreu entre as comunidades eclesiais católicas e os cultos de tradição africana, não tanto a partir da religião, mas das causas humanitárias comuns. A partir disto temos algumas relações mais profunda que convergem em sua espiritualidade como é o caso da Romaria das Águas. Porém o que converge não é tanto as crenças e os ritos, pois cada expressão religiosa mantém os seus. O que permite a unidade são a ideia de uma mesma espiritualidade que defende a vida e o cuidado com o meio ambiente. 




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